“E ela, tão tola,
dizia que não sentia mais nada. Se pudesse negava até a morte. Porque pra ela
as coisas sempre foram complicadas. E embora ela sentisse falta do perfume dele
e do jeito que ele sorria, preferia mil vezes sentir falto, a encarar a
verdadeira realidade. Ela nunca gostou de admitir o que sentia. E logo por ele?
Um ser tão relaxado, descomplicado. Ele a fazia pirar. Ela odiava quando ele a
fazia sorrir. Ela sempre odiou o jeito que ele a olhava porque ela sabia que
ficava com cara de idiota. Ela detestava seu lado mulherengo e infantil e até
hoje morre de ciúmes quando uma garota bonita chega perto dele. Mas veja só.
Ela, tão incrivelmente complicada, não daria para agradá-lo. Um ser tão
relaxado, descomplicado. Ela, com toda a sua força e complexidade, preferia se
afastar, sabe por quê? Porque ela já começava a sonhar com ele todas as noites.
E nas manhãs, ele já era o seu primeiro pensamento. Ela fugiu, porque é sempre
isso que ela faz quando está assustada. Ela corre pra longe. E se esconde em
seu mundo particular. Em seus livros. Em suas músicas. Em seu quarto. No
silêncio. Nas palavras que não foram ditas. Ela prefere não falar nada. Ela
prefere ver o tempo passar. Ela prefere chorar escondida.
Ela prefere perder, do que se arriscar. Ela, tão tola, dizia que não sentia
mais nada. Se pudesse negava até a morte.”—Mas ela sente falta dele.
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