quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Se pudesse negava até a morte...


“E ela, tão tola, dizia que não sentia mais nada. Se pudesse negava até a morte. Porque pra ela as coisas sempre foram complicadas. E embora ela sentisse falta do perfume dele e do jeito que ele sorria, preferia mil vezes sentir falto, a encarar a verdadeira realidade. Ela nunca gostou de admitir o que sentia. E logo por ele? Um ser tão relaxado, descomplicado. Ele a fazia pirar. Ela odiava quando ele a fazia sorrir. Ela sempre odiou o jeito que ele a olhava porque ela sabia que ficava com cara de idiota. Ela detestava seu lado mulherengo e infantil e até hoje morre de ciúmes quando uma garota bonita chega perto dele. Mas veja só. Ela, tão incrivelmente complicada, não daria para agradá-lo. Um ser tão relaxado, descomplicado. Ela, com toda a sua força e complexidade, preferia se afastar, sabe por quê? Porque ela já começava a sonhar com ele todas as noites. E nas manhãs, ele já era o seu primeiro pensamento. Ela fugiu, porque é sempre isso que ela faz quando está assustada. Ela corre pra longe. E se esconde em seu mundo particular. Em seus livros. Em suas músicas. Em seu quarto. No silêncio. Nas palavras que não foram ditas. Ela prefere não falar nada. Ela prefere ver o tempo passar. Ela prefere chorar escondida. Ela prefere perder, do que se arriscar. Ela, tão tola, dizia que não sentia mais nada. Se pudesse negava até a morte.”
—Mas ela sente falta dele.

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